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APRESENTAÇÃO DA REVISTA ASAS DA PALAVRA

APRESENTAÇÃO DA REVISTA ASAS DA PALAVRA

PRESTAMOS VERDADEIRO DESFAVOR AOS NOSSOS GRANDES AUTORES QUANDO OS ADMIRAMOS APENAS PASSIVAMENTE, DELES NÃO TRAZENDO SENÃO O NOME NA LEMBRANÇA, SEM JAMAIS QUESTIONAR O MOTIVO DE SEU PRESTÍGIO.

Apresentação da Revista Asas da Palavra Benedito Nunes – Edição Comemorativa (v.12, n.25, junho.2009, Editora Unama), organizada por Victor Sales Pinheiro e Maria Célia Jacob.

Para mais informações sobre este livro, visite a seção Edições.

Prestamos verdadeiro desfavor aos nossos grandes autores quando os admiramos apenas passivamente, deles não trazendo senão o nome na lembrança, sem jamais questionar o motivo de seu prestígio. Não há respeito intelectual possível sem a compreensão do alcance da obra, vivida e escrita, de determinado pensador. A fim de homenagear um dos maiores intelectuais brasileiros, este volume de Asas da Palavra é dedicado a Benedito Nunes, rendendo-lhe tributo no seu octagésimo aniversário, para que novos leitores e alunos façam como os autores desta revista, admirem-no e valorizem-no pelo reconhecimento da grandeza de sua pessoa e obra.

Lecionando desde os 19 anos, inclusive aos seus contemporâneos, Benedito Nunes é professor de três gerações de paraenses, além de ser o autor de uma extensa e aclamada obra de crítica literária e filosófica. As crônicas deste volume o registram: não é só a obra escrita de Benedito Nunes que estimamos, mas também a sua personalidade, a maneira cativante e apaixonada com que apresenta os temas, a doçura e a generosidade no trato com os alunos, o seu “vivo interesse pelos aspectos mais nobres da existência humana”, como diz a sua mais antiga professora, Anunciada Chaves, o “seu comportamento inquisitivo, sua permanente busca intelectual”, como lembra a sua mais nova aluna, Stella Pessoa. Com efeito, Angela Maroja tem razão, Benedito Nunes é mesmo socrático, provoca seguidores, é responsável pela “rendição à filosofia”, atraindo sempre novos discípulos à partilha de seu “banquete filosófico”.

Os paraenses não são, porém, os únicos beneficiados do convívio de Benedito Nunes, que é professor convidado de diversas instituições acadêmicas, nacionais e estrangeiras. Professores procedentes de outras regiões do Brasil, como o amazonense Milton Hatoum e o paulista Alcir Pécora, dentre outros, representam os apreciadores de Benedito Nunes ao longo do país. Radicado à margem dos centros hegemônicos das universidades sulistas de um país intelectualmente periférico, Benedito Nunes é certamente um dos intelectuais mais universais da história cultural da Amazônia, mostrando como ser anti-provinciano mesmo morando na província. Os seus escritos selecionados para esta edição mostram a dimensão alargada e abrangente de seu pensamento, desde a sua primeira aula inaugural, em 1973, Um conceito de cultura, até a recente conferência Meu caminho na crítica, pronunciada na Academia Brasileira de Letras, em 2005, sobre o seu instigante percurso intelectual. Dentre as entrevistas deste volume, destaca-se a concedida ao jornalista Lúcio Flávio Pinto, na qual se observa a formação literária humanista de Benedito Nunes, um “navegante de todas as águas”, na feliz expressão do mineiro Audemaro Goulart.

Os ensaios em homenagem a Benedito Nunes aqui enfeixados denotam, igualmente, a amplitude de seu horizonte, seja por autores nacionais, como Guimarães Rosa – de quem é um consumado intérprete, como demonstra o balanço crítico de Silvio Holanda -, seja de estrangeiros, como Fernando Pessoa, outro autor por ele muito estudado, pela convergência da literatura e filosofia na sua obra. Tema do penetrante estudo de Jucimara Tarricone, é como filósofo hermenêutico que o crítico literário Benedito Nunes realiza o diálogo entre literatura e filosofia, interlocução pensada também em razão das amizades que sempre nutriu com poetas, e cuja fecundidade ressaltou Lilia Chaves, ao tratar do seu contato com Mário Faustino.

Se a literatura lhe é tão valorosa, não poderiam faltar homenagens poéticas nesta edição, a começar pela primeira delas, o poema H’era, que remonta a 1971, de autoria de Max Martins, outra amizade essencial de Benedito Nunes.

Longe de ser uma cartografia completa da biografia, da obra e do interesse de Benedito Nunes, esta edição é um precioso traçado que reforça a nobre vocação da revista Asas da Palavra de valorização e difusão de autores fundamentais da cultura letrada na Amazônia, da qual Benedito Nunes é um dos mais brilhantes protagonistas e o mais fértil núcleo catalisador.

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